terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sonhar com Fernando Pessoa

Fernando Pessoa morreu há 75 anos, mas a sua obra continua viva e a fazer-nos sonhar. Aqui fica um poema em sua memória.



Entre o sono e o sonho,

Entre mim e o que em mim
É o que eu me suponho,
Corre um rio sem fim.

 
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas curvas viagens
Que todo o rio tem.

 
Chegou onde eu habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

 
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre –
Esse rio sem fim.


In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006

domingo, 7 de novembro de 2010

A leitura na minha vida

A Fernanda está a desenvolver o processo de RVCC no nosso CNO. O gosto pela leitura tem-na acompanhado ao longo da vida e, gentilmente, aceitou partilhar o seu testemunho sobre a importância que a leitura tem tido na sua vida.

“Ler é um hábito que cultivo desde pequena, faz parte de mim, é o meu alimento da alma.
Desta época quem não se lembra do livro o “O meu pé de laranja lima”? Uma história cativante, comovente, emocionante, ternurenta, sobretudo pela pureza e inocência da infância! Esta foi uma das histórias que me marcou, assim como “As aventuras do Cinco” que faziam as minhas delícias.
Mas que partido tiro eu das histórias? Porque nos são lidas tantas histórias em pequenos? Eu penso que será para nos reportar valores morais e éticos, que nos levem a repensar as atitudes do dia-a-dia, numa reflexão que pode modificar a acção tornando-nos melhores enquanto pessoas.
Há livros que me apaixonaram, outros que me fizeram rir e outros até chorar. Imagino cada personagem na minha cabeça e com elas vivo, sonho, viajo e aprendo.
Destacar um livro para mim é difícil, gostei de ler quando estava no liceu “Os Maias” ao contrário dos meus colegas que o achavam muito cansativo, eu gostei da originalidade de Eça de Queiroz, do seu estilo e linguagem, e do realismo descritivo dele, que acho notável, tanto que a seguir li muitos livros da sua vasta obra.
Numa fase menos boa da minha vida, mais recentemente li, “Veronika decide Morrer”, de Paulo Coelho.
Veronika uma jovem como tantas outras, tem tudo na vida, mas no entanto não encontra sentido na sua vida e decide morrer. A tentativa de suicídio por overdose de medicamentos sai frustrada, e a partir daí é internada numa clínica de loucos, onde recebe a notícia que apenas lhe podem restar umas semanas de vida. Nessa perspectiva ela considera que não tem nada a perder, pode fazer o que bem lhe apetecer e com essa liberdade de pensamento ela vive cada instante como único.
Esta história remete-nos para o verdadeiro valor da vida, a beleza de cada momento que devemos aproveitar como únicos e irrepetíveis.
Na altura este livro marcou-me, é uma história que pode ser a de qualquer um de nós, pois quantas vezes nos esquecemos que o caminho se faz caminhado e que a felicidade não é uma meta, mas é construída todos os dias com as mais pequenas coisas de que tão simples nem nos apercebemos do quanto representam para nós.”
Fernanda Fernandes

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Livro da Minha Vida na Biblioteca

Ontem, sob o mote "O livro da minha vida", comemoramos o dia Internacional das Bibliotecas Escolares. Agradecemos aos adultos e formadores que, com a melhor simpatia, partilharam o seu gosto pelos livros e a todos os formandos das turmas EFA que ouviram e aplaudiram. A todos, um muito obrigada.


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dia Internacional das Bibliotecas Escolares

No dia 25 de Outubro vamos comemorar o dia Internacional das Bibliotecas Escolares. Convidamos toda a comunidade escolar a participar num momento de partilha subordinado ao tema “O livro da minha vida”, pelas 20h e 30m na BE. Tragam um livro e partilhem todas as emoções que sentiram ao lê-lo e que vos acompanham ao longo da vossa vida.

domingo, 17 de outubro de 2010

Eu e as Mulheres da Minha Vida, de Tiago Rebelo

Trata-se de um romance escrito de forma ligeira e que conta uma história que por muitos terá sido vivida ou que, pelo menos, muitos já terão ouvido contar da boca de um amigo ou de uma amiga: um homem que, aos 35 anos, saturado da sua vida rotineira de marido e pai, dá por si envolvido com uma mulher que de início imaginou inacessível e para a qual não teria unhas.
Quase sem saber como, foi promovido no seu emprego e chega a director do banco onde era um amorfo funcionário. Foi nessa altura que, também quase sem saber como, a sua colega Cátia, a quem sugestivamente chamavam Monica Bellucci, revela ter interesse nele. Enfadado com a sua vida, envolve-se com ela, achando estar a viver um sonho. É claro que, esgotado o efeito novidade, essa nova relação acaba também ela por se tornar rotineira e o sonho vira pesadelo. Só que, nessa altura, a vida do marido (chama-se Zé, neste caso) estava já toda desordenada, vendo-se completamente incapaz de por ordem na casa. Junta à primeira uma segunda amante e entretanto começa a constatar que afinal de quem sente falta é da mulher, a genuína.
Portanto, é uma história já muitas vezes contada, especialmente no boca a boca, e que Tiago Rebelo resolveu passar à escrita, criando um romance muito leve e descontraído que pode ser lido de uma assentada. Não faltará quem se identifique com o enredo ou, pelo menos, com episódios do mesmo. A obra tem os seus momentos divertidos e vive, essencialmente, das personagens masculinas e dos seus diálogos, bastante vivos – era um livro que daria, por exemplo, uma peça de teatro bem animada, ou uma série despretensiosa. No cinema poderia dar uma comédia ligeira, mas isso é algo que em Portugal é uma espécie de sonho irrealizável. Se bem que se o Zé conquistou a Monica Bellucci…

Tiago Rebelo - Autor do mês de Outubro na BE

Nascido a 02 de Março de 1964, é casado e tem três filhos. Tirou o curso de Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Nova de Lisboa, onde permaneceu durante 8 anos.
Iniciou a sua actividade profissional em 1986 na Rádio Renascença, conciliando, durante três anos, o trabalho de jornalista especializado em política na RTP. É jornalista há dezanove anos, sendo nos últimos seis anos um dos editores executivos da TVI, onde está desde 1994.
Tem publicado nove romances e quatro histórias para crianças. No seu percurso literário destacam-se três livros de contos infantis - "O Palácio Encantado", "A Boneca de Porcelana" e "O Pato Mercedes"
(edições Abril/Control Jornal para o Museu das Crianças).

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Nome da Rosa, de Umberto Eco

 “Pensa num rio, denso e majestoso, que corre por milhas e milhas entre robustos diques, e tu sabes onde está o rio, onde o dique, onde a terra firme. A certa altura, o rio, de cansaço, porque correu por demasiado tempo e demasiado espaço, porque se aproxima do mar, que anula em si todos os rios, já não sabe o que é. Torna-se o seu próprio delta. Permanece talvez um braço maior, mas muitos outros se ramificam, em todas as direcções, e alguns confluem uns nos outros, e já não sabes o que está na origem do que é, e por vezes não sabes o que ainda é rio e o que é já mar…”


Existem vários livros que gostava de partilhar, mas “O Nome da Rosa” surge porque a mensagem que pretendo transmitir está relacionada com o que escolher, um livro ou um a sua adaptação ao cinema?
Quando vi a adaptação de “O Nome da Rosa” no cinema fiquei muito desiludida, como quase sempre me acontece quando comparo o filme com o livro! Isto para dizer que a célebre frase “uma imagem vale mais que mil palavras” neste caso específico, e na minha opinião, não se aplica, pois as palavras deste livro, como de quase todos, permitiram-me construir uma história muito mais maravilhosa do que aquela que o realizador apresentou. Assim, mesmo estando na era digital, os livros continuam a seduzir de uma forma muito pessoal, pois a história que nos transmitem é única, tem sempre uma parte de nós!
Mara Machado